Domingo, 13 de Maio de 2018, a Lista C foi visitar a Mata da Margaraça e Fraga da Pena, na Serra do Açor
![]() |
| Visita à Mata da Margaraça. |
Começámos pela Mata da Margaraça. A Mata da Margaraça é um bosque com elevado valor natural que testemunha o que seria o coberto vegetal da zona centro do país em tempos passados. Situada numa zona de transição entre a flora mediterrânica e a flora atlântica, a mata é habitat de espécies reliquiais como o azereiro e o azevinho. Debaixo de um coberto de castanheiros, resquícios de antigos castinçais e soutos, prospera uma vegetação muito rica onde co-habitam carvalhos-alvarinhos, ulmeiros, medronheiros e loureiros, misturando elementos de mundos diferentes.
Tinha estado na Mata da Margaraça em Setembro de 2017. Como podem ver no vídeo acima, a vegetação da Mata distingue-se facilmente do restante território; tem um verde diferente, um aspecto mais vibrante, mais viçoso e natural!
E o seu interior também é diferente! Apesar da enorme seca que se vivia nesta altura do ano em Portugal Continental, na mata ainda corria água pelas ribeiras, muito mais do que eu esperaria, como podem ver no vídeo abaixo.
Uma mata autóctone como a Mata da Margaraça tem um papel fundamental na regulação do ciclo da água, amenizando os períodos de seca. A vegetação natural ajuda a água a infiltrar-se no solo, atrasando o seu escoamento, ao mesmo tempo que aumenta a condensação de humidade e a pluviosidade oculta. Este tipo de vegetação contribui ainda para o enriquecimento do solo com matéria orgânica, aumentando a capacidade de armazenamento de água que passa a ser libertada mais vagorosamente, de forma mais alongada no tempo. E é assim que em Setembro de 2017 ainda escorria água na Mata da Margaraça, apesar da seca intensíssima que se vivia nessa altura.
Esta humidade viria a ajudar a Mata a resistir aos catastróficos incêndios de Outubro de 2017 que assolaram a região Centro do País, incluindo a Serra do Açor. A Mata não conseguiu escapar incólume a incêndios daquelas proporções. Mas quando a voltei a visitar em Dezembro de 2017 o que vi foi, apesar de tudo, um alívio. Vejam o vídeo abaixo.
O vídeo abaixo ajuda a perceber como o fogo varreu a encosta mais seca e quente do vale e tinha chegado à linha de água. Mas, de forma algo surpreendente, tinha parado na linha de água ou diminuído muito de intensidade e praticamente não conseguiu consumir vegetação da Mata, na colina mais sombria e fresca do vale.
As linhas de água são de vital importância no controlo dos incêndios. Uma linha de água com vegetação ripária bem conservada, constituindo uma galeria ripícola, tem uma grande capacidade de atrasar ou travar um fogo, pela maior humidade e profundidade dos solos, e pela diminuição de estrato arbustivo, sombreado pela copa das árvores.
Não terá sido alheia à extinção do fogo naquele local a mata natural, ombrófila - húmida e sombria. Nos incêndios é difícil afirmar o que fez a diferença, até porque o fogo tem um comportamento imprevisível; pode ter mudado o vento, pode ter começado a chover, os factores a ponderar são muitos. Mas o facto de na ribeira correr água, sombreada por uma galeria ripícola, e a encosta estar coberta de castanheiros, carvalhos, ulmeiros-de-montanha e outras árvores autóctones que fechavam a copa terá também tido algo a ver com isso.
Recuperem-se as galerias ripícolas, para melhor se emparcelar os incêndios no futuro, contribuindo para a sua extinção.
![]() |
| Galeria Ripícola na Mata da Margaraça. Foto Pedro Lérias. |
Com apenas 68
ha, seria importante a Mata da Margaraça crescer. Tal pode ser conseguido de várias formas. Pode-se explorar a possibilidade de se fazerem contratos de gestão de terrenos próximos ou contíguos com a Mata, compensando os proprietários por medidas de gestão que diminuam o rendimento florestal imediato ou pode-se adquirir terrenos ou promover a sua aquisição pelo Estado.
No nosso Programa de Acção estipulamos que queremos olhar para a floresta autóctone de Portugal, promovendo a elaboração de um relatório sobre o estatuto de conservação das mais importantes manchas de floresta autóctone do país e perceber as oportunidades para aumentar as suas áreas. Queremos, igualmente, como estamos a fazer durante a nossa campanha, promover visitas a alguns dos mais importantes exemplos da nossa floresta e organizar ações de formação específicas sobre a diversidade de floresta autóctone do nosso país.
A Fraga da Pena
Depois da visita à Mata da Margaraça, seguimos para a Fraga da Pena, outro local carismático da Serra do Açor e que integra a Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor. Trata-se de um local de rara beleza, com uma bela cascata e muita água. Ao longo da linha de água a vegetação natural mantém-se em bom estado, abundando espécies autóctones como os medronheiros, carvalhos, sabugueiros e azereiros. Quando lá tinha estado em Dezembro os medronheiros estavam carregados de medronhos maduros e doces, desfaziam-se na boca. Maravilhosos! Nesta visita, pudemos observar os danos causados pelos incêndios e constatar, como na Margaraça, a importância da vegetação ripícola para ajudar a diminuir a intensidade e impacto dos incêndios.
Foi uma manhã de aprendizagem para a Lista C e de convívio com amigos, alguns associados da LPN, outros a ser persuadidos para se fazerem!
A paragem seguinte foi a Quinta da Moenda, propriedade da LPN no Concelho de Vila Nova de Poiares. O registo fica para a próxima publicação.
![]() |
| A Lista C na Mata da Margaraça. Um passeio a repetir com os associados se formos eleitos! Foto de Elsa Florêncio. |
No nosso Programa de Acção estipulamos que queremos olhar para a floresta autóctone de Portugal, promovendo a elaboração de um relatório sobre o estatuto de conservação das mais importantes manchas de floresta autóctone do país e perceber as oportunidades para aumentar as suas áreas. Queremos, igualmente, como estamos a fazer durante a nossa campanha, promover visitas a alguns dos mais importantes exemplos da nossa floresta e organizar ações de formação específicas sobre a diversidade de floresta autóctone do nosso país.
A Fraga da Pena
![]() |
| A Lista C de visita à Fraga da Pena, Serra do Açor, aqui no lago de cima. Foto de Elsa Florêncio. |
Depois da visita à Mata da Margaraça, seguimos para a Fraga da Pena, outro local carismático da Serra do Açor e que integra a Área de Paisagem Protegida da Serra do Açor. Trata-se de um local de rara beleza, com uma bela cascata e muita água. Ao longo da linha de água a vegetação natural mantém-se em bom estado, abundando espécies autóctones como os medronheiros, carvalhos, sabugueiros e azereiros. Quando lá tinha estado em Dezembro os medronheiros estavam carregados de medronhos maduros e doces, desfaziam-se na boca. Maravilhosos! Nesta visita, pudemos observar os danos causados pelos incêndios e constatar, como na Margaraça, a importância da vegetação ripícola para ajudar a diminuir a intensidade e impacto dos incêndios.
Foi uma manhã de aprendizagem para a Lista C e de convívio com amigos, alguns associados da LPN, outros a ser persuadidos para se fazerem!
A paragem seguinte foi a Quinta da Moenda, propriedade da LPN no Concelho de Vila Nova de Poiares. O registo fica para a próxima publicação.






Comentários
Enviar um comentário