Visita ao Jardim da LPN em Lisboa: (a) zelha, um jardim e duas visões diferentes para se alcançar um fim
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| Depois do maravilhoso lanche, na despedida do Jardim da LPN. Foto de João Matos. |
No Sábado, 19 de Maio de 2018, foi dia de irmos visitar o Jardim da LPN em Lisboa. Tivemos oportunidade de ficar a conhecer um pouco melhor a grande variedade de espécies que compõem a Sebe Viva Biodiversa e ver o resultado das obras que ali decorreram.
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| Viveiro temporário que criei no jardim da LPN. |
Fiz o transporte da grande maioria das plantas no meu carro e comprei terra e adubo para ajudar à sua plantação. Durante a Primavera e Verão fui responsável por regar 2 a 3 vezes por semana as plantas da sebe e em viveiro, garantindo a sua sobrevivência e instalação, indo muitas vezes da Arruda-dos-Vinhos, onde moro, para o fazer. Criei ainda e produzi etiquetas de identificação para as plantas.
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| Imagem da localização da implementação no Jardim da LPN da Sebe Viva Biodiversa que integrava o projecto que apresentei à LPN. |
Inesperadamente, no Outono de 2016 fui afastado de qualquer capacidade executiva sobre o projecto, passando a ser um mero observador. O plano de plantação não foi mais cumprido e na Primavera de 2017 começaram a morrer algumas plantas de sede, por falta de rega.
Nessa altura, alertei a Direcção Nacional e pedi autorização para projectar e instalar, pagando-o eu, um sistema de rega gota-a-gota. Foi-me dada autorização e felizmente conseguiu-se inverter a tendência de deteriorização das plantas, melhorando muito o seu estado sanitário. A rega gota-a-gota ajudou ainda a poupar muitas horas de trabalho aos trabalhadores da LPN.
A partir desse momento nunca mais tive qualquer contacto com a execução do projecto ou reabilitação do jardim, em que tanto tempo, dedicação - e dinheiro - tinha investido. Soube das obras financiadas pelo Fundo Ambiental quando iam começar, não tive oportunidade de dar qualquer opinião sobre o projecto que iam implementar e continuo sem saber quem o desenhou. Um belo exemplar de zelha Acer monspessulanum que tinha doado junto com as outras plantas da Sigmetum ficou debaixo das rodas das retroescavadoras que tornaram o Jardim da LPN numa zona de combate temporária.
O projecto em si que foi implementado é estranhamente medíocre: colocaram mesas e bancos de pic-nic no local do jardim mais perto dos caixotes de lixo e ponto de reciclagem na rua, garantindo um aroma contínuo a quem ali queira comer. Contruiram ainda um palco que invade o espaço do jardim de forma obstrutiva e cuja altura é exagerada. Foi ainda colocado em conflito com a árvore mais antiga do jardim, uma oliveira centenária que de um ponto de referência, com direito a espaço em redor para respirar, se tornou num 'empecilho' para o 'grandioso' palco. Todo o Jardim foi secundarizado a estas estruturas, transformando-se num Parque.
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| Uma linda e centenária oliveira, decepada sem razão. |
A actual Direcção Nacional parece não perceber que o processo para se alcançar um resultado é tanto ou mais importante que o resultado em si. Pode exibir um jardim intervencionado, mas retirou-lhe parte da sua alma e deprivou os associados da oportunidade de construirem um jardim que poderiam chamar seu.
Foi uma oportunidade perdida tanto no processo de construção como no resultado.








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